12.4.10

-Por que foges de mim?
-Não fujo, tu que nem me olha na cara.
-Olho sim, e tu desvia o olhar. Aí fico com vergonha.
-Também tenho vergonha de falar contigo.
-Não deveria. Não mordo, nem nada do tipo.
-Pois é, mas tenho vergonha.
-Quem devia ter vergonha era eu, e não tu.
-Não sei por que, quem é ignorado sou eu.
-Não faz drama guri, seja homem e admita.
-Admitir o que? Que tenho vergonha? É.
-Já falaste isso mais de mil vezes, não entendo o porquê da vergonha.
-Tu é diferente das gurias que costumo ficar, é mulher demais.
-Que desculpa fajuta! Agora entendi por que tu ages assim...
-Assim como guria?
-Como guri novo, cheio de medos. Também tenho meus medos, pode não parecer, mas tomo atitude e vou em frente.
-Eu sei, por isso não faço nada, tu me assusta, no bom sentido.
-Hum, está bem. Agora vou me portar feito menina nova. E tu tomas jeito, ou tchau pra ti.
E riu maliciosamente.
-Está bem, mas não precisa me assustar tanto assim. “Tchau”.
E fez uma cara de triste.
-Não faz isso comigo guri! Desse jeito tu acabas comigo.
Ele a puxou pelo braço e a beijou.

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